É claro que não vou encontrar uma alma gémea no amor, porque já começo a notar o processo de ele se desenvolver em mim como algo padronizado. E tenho quase a certeza de que não o estou a aplicar ao mesmo tipo de pessoas, isto já descontando que esta tipologia seja essencialmente da minha subjetividade e, portanto, da minha atitude amorosa.
Então, das duas uma: no amor, ou encontrarei uma alma gémea que me encontrará a mim, ou então as almas gémeas constroem-se, mesmo para lá daquele processo de desenvolvimento.
Quanto à primeira, tenho a sensação de que nunca me procurou alguém que depois me tenha convencido de que a estava a procurar ou, pelo menos, nunca senti estar nesse papel com a intensidade que considero minimamente esperada.
Quanto à segunda – hipótese tão tentadora porque apela para a minha responsabilidade, e culpa – sei bem dos seus falhanços e, principalmente, das enormes paredes com que se depararam. Duvido dela porque duvido essencialmente de mim.
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