Falava do amor como se não reconhecesse que, exactamente do mesmo modo, poderia estar a referir-se à beleza.
“Mas a beleza não implica ciúme”, lembrou-lhe um amigo com proficiência.
Ficou como que estupefacto. Não era que nunca tivesse sentido ciúme perante o que vinha considerando que amava, mas tinha-o dissolvido tanto que nunca se tinha debruçado sobre ele.
Teria ele afinal, desde sempre, amado apenas o belo?
“Mas então e o belo masculino, que não te perturba?”, voltou o amigo a lembrar-lhe.
E tudo isto lhe parecia verdade, uma verdade sem resposta, mas o pior é que não via maneira alguma de sair da questão.
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