Começo a achar que não é uma opção da intenção individual humana a mudança de si mesmo.
Com mais ou menos intensidade nas tentativas, tenho tentado mudar-me, já desde há vários anos. Mudei muito pouco do que queria em mim, ou consegui-o com uma eficácia ridícula, e, pelo caminho, ganhei uma tendência involuntária para bater naqueles em que vejo precisamente aquilo que em mim tenho querido mudar.
Ganhei isso e desertos de transição.
Numa dimensão completamente diferente, tudo isto acaba por ser muito parecido com os media: nascidos da vontade social para a avaliação e reformismo de si – emanada do liberalismo – produzem incessantemente peças jornalísticas, e casos, que, na sua enorme maioria, se nos reduzirmos ao mundo que está directamente em torno dos nossos olhos, simplesmente não são consequentes. Muito menos ainda na promessa disso, que sempre parecem ter implícita.
É toda uma indústria hipócrita, porque nasce mecanicamente daquele princípio reformista e depois não pode deter-se perante o que muito dificilmente é mutável. E fazem-se então, continuamente, furações de produção no meio disto, sempre de algum modo lucrativos, porque as paredes disto não mudam.
No entanto, de certa forma, todas as indústrias que existem são assim hipócritas.
E como este desígnio falha nelas – como em mim tem falhado – também aqui, nos media, acaba tudo em “políticas”, isto é, num espectáculo de grupos sociais ou ideais a baterem naqueles que abominam.
Deve ser esta a natureza das coisas.
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