Ao contrário do que popularmente se pensa, a Filosofia não é meramente a disciplina intelectual para a discussão das “grandes questões”.
Antes de estar nas “grandes questões”, a Filosofia está – e cobrindo absolutamente esse campo – nas “pequenas questões”. Porque a Filosofia é a substância do Verbo, e nem só disso ela está na origem. Há Filosofia também, por exemplo, na mente do animal que está em pleno exercício da caça, onde sabemos que não existe Verbo. E está aqui porque desde logo aí há Lógica, mas não só.
Simplesmente acontece, também por razões populares, que a Filosofia só quase é suscitada, ou evocada, para as “grandes questões”. Isso é meramente uma coincidência, derivada  negativamente do facto misterioso de, muito antes de, como espécie, nos termos lembrado filosoficamente de nós, já termos um conjunto notável e sofisticado de processos de agência e pensamento.
Mais misterioso ainda será pensarmos que, na medida do avanço filosófico que já tínhamos antes de nos reconhecermos filosoficamente, também as fronteiras que aquelas “grandes questões” representam têm parecido ser imutáveis e inexcedíveis.
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