Houve aquela frase que ouvi, e que já tinha ouvido bastantes vezes antes, mas que só naquele momento percebia: “gosto de ti pelas tuas falhas”.
Mas não era bem isso. Não é pelos desvirtuosismos, ou pela ignorância, que a concretização do amor é surpreendente. É pelo desnorteamento, ou pelo estado de se viver significativamente iludido.
E era até mais desse modo último que eu estava, quando ela disse que gostava de mim. O que para mim não faz sentido: se vivo sentindo-me enganado, ou desnorteado, porque há de alguém querer-me? Como pode essa pessoa confiar e suster-se nessa sua ideia se eu acredito com teoricamente mais validade que ela está enganada? É claro que este sentimento pode ser apenas de ter encontrado aquilo que é a condição de cada um. Nesse caso, a aproximação é compreensível, porque há uma base de igualdade.
Mas, para mim, o amor deixa de ser compreensível. Porque se é do teor do seu conteúdo ele ser absolutamente romântico e idealista, então não pode ser minimamente explicado por jogos de concessão, oferta-e-procura, ponderações. Ou seja, de saber-se que o putativo amado é um ser falhado “, mas”.
E por isto eu tenho de descrer no amor. Tenho de aprender e contentar-me com a sua versão basal e universal.

 

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