Nos meus dias desalumiados cheios de dores no fundo vazias
Moribundo à procura de vozes
Vozes para eu ter para me agarrar
Tremo até a abrir a caixa dos comprimidos
Aquela que pegara depois de ter cambaleado até ao armário dos medicamentos
Que é a minha estante
E a minha mão tateando a parede de lombadas no escuro da antemanhã
A perguntar onde é que eles estão onde é que eles estão
Onde é que estão os poetas
Até que lá encontra um
Que é o ruy belo sim é mesmo isto
Ah ruy se eu tivesse o teu silêncio
Isso que tens entre o pássaro e o mar e a mulher e as casas e as crianças
Que são palavras tuas (como até tu admites)
Mas então estou eu afinal a falar de um silêncio ou de uma voz
É que agora já não sei
Só sei que o que interessa é aquilo que me deste e que eu recebi
E eu quero roubar-te também ruy
Parece impossível vais-me desculpar mas é mesmo assim
Perdoo-me confiando que se fosses vivo talvez dissesses
Que essa é precisamente a grande felicidade dos poetas mortos
Poderem ser infinitamente roubados
Sem que isso sequer os afete
Como se assim gloriosamente detivessem
O simples o supremo poder
De infinitamente absolverem todo o mal o próprio mal
Pois ruy já te roubei como podes ver
Este é o teu ritmo este é o teu passo
E roubo-te também para a minha pequena vida
Tenho a frequência a um batimento por dia
Finalmente uma justa medida de silêncio
Que é à noite quando escrevo e é isso que eu quero e é disso que eu preciso.
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