Curioso como, durante muito tempo, os adultos “poupam” os mais novos de imensa coisa, mas, entretanto, os novos crescem e, na planície da sua primeira maturidade (não sei quantas há ao todo, mas acredito que haja várias), são eles que pensam saber estar a “poupar” os mais velhos de imensa coisa, apesar de os adultos continuarem a lidar com aqueles em pensando que são eles que estão a “poupar”, o que, medindo bem as coisas, até será melhor para eles, porque significa que, ao menos, não tiveram de se afastar muito disso que já achavam e de uma prática que já lhes está rotinada.
Ainda assim, por outro lado (o “lado” que está para lá daquelas pressuposições) ambos continuam substancialmente enganados: os mais novos realmente ainda não viram nada e os adultos, felizmente, já esqueceram uma parte importante desse conjunto real de todas as coisas de que eles acham estar a “poupar” aos primeiros.
Mas, apesar de tudo, a vantagem nisto, por mínima que seja, acaba sempre por cair do lado dos mais velhos, e isto importa sobretudo aos novos saber: basta que um dos novos arrisque a comunicação sequer da beira disso que achava estar a “poupar” aos outros para libertar naqueles incríveis – mas silenciosos – caudais de coisas esquecidas, memórias, narrativas inteiras que já se haviam sedimentado em assunções tão densas que já cabiam numa mão.
Normalmente, é nesse passo que ambos se despedem.
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